Estado de São Paulo

Contaminação em ração provoca mortes de cavalos e suspensão de vendas no Brasil

Uma crise envolvendo ração contaminada causou a morte de 122 cavalos em quatro estados brasileiros — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Alagoas — até 18 de junho de 2025, segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em São Paulo, foram registrados 42 óbitos, sendo 29 em Indaiatuba e 13 em Itu. A ração, produzida pela Nutratta Nutrição Animal Ltda., foi proibida de ser comercializada a partir de 4 de junho, com a suspensão inicialmente aplicada a lotes fabricados após 8 de março de 2025. Posteriormente, em 17 de junho, o Mapa ampliou a medida, determinando o recolhimento de todos os produtos da empresa destinados a equídeos com fabricação a partir de 21 de novembro de 2024.

Os primeiros sinais de problema surgiram entre 11 e 18 de maio, quando cavalos de uma cocheira em Itu começaram a apresentar sintomas graves, como falta de apetite e comportamento atípico, descrito por Fábio de Sá Duarte, criador que mantém seus animais no local, como se estivessem “bêbados”. “Os contaminantes encontrados na ração estão causando danos hepáticos e sistêmicos irreversíveis nos animais, o que está causando um abalo emocional muito grande para os criadores, que tratam os cavalos ‘como se fossem da família’”, relatou Fábio. Inicialmente, a suspeita era de envenenamento, mas a conexão com a ração foi confirmada após relatos semelhantes em outros ranchos, enquanto cavalos recém-chegados, que não consumiram o produto, não apresentaram sintomas.

O Mapa iniciou as investigações em 29 de maio, após denúncias, e identificou indícios de contaminantes na ração Forrage Horse, da Nutratta, que poderiam prejudicar a saúde animal. A empresa está sob investigação, e a Lei do Autocontrole (nº 14.515/2022) determina que ela adote medidas imediatas de correção, incluindo o recolhimento dos lotes afetados. Até o momento, 36 mortes adicionais estão sob análise para confirmar a relação com a ração. O Metrópoles tentou contato com o advogado Diêgo Vilela, representante da Nutratta, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem original, mantendo o espaço aberto para manifestações.

A tragédia gerou comoção entre criadores, que levantaram três hipóteses para a contaminação: falha nas máquinas de produção, erro humano ou ato intencional. Em Indaiatuba, uma vistoria técnica realizada em 19 de maio pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, liderada pelo veterinário Adriano Mayoral, descartou insalubridade ou maus-tratos na cocheira local, reforçando que a ração é a principal suspeita. O caso expõe a gravidade de falhas na cadeia de produção de alimentos para animais e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa para proteger a saúde equina e o bem-estar dos criadores.