
Na tarde de quarta-feira, 18 de junho de 2025, um soldado da Polícia Militar (PM) foi preso no Hospital da Polícia Militar, localizado no bairro do Tucuruvi, Zona Norte de São Paulo. O militar, identificado como Lucas Neto, buscava atendimento médico devido a um deslocamento no ombro quando foi acusado de desrespeitar um superior ao chamá-lo de “você” durante a consulta. A situação gerou polêmica, já que o policial estava no hospital na condição de paciente, e não em serviço.
A defesa de Lucas Neto, representada pela advogada Fernanda Borges de Aquino, afirma que ele foi ao hospital acompanhado por ela devido a denúncias de que médicos militares vinham tratando subordinados com desrespeito. Segundo relato publicado no Instagram, a advogada foi proibida de registrar o atendimento em áudio ou vídeo. “Ainda segundo o relato publicado, a advogada teria sido impedida de fazer qualquer registro em áudio ou vídeo do atendimento do policial. Lucas, então, teria iniciado uma gravação de áudio com o próprio celular, e o capitão médico Marcelo Cavalcante Costa teria ordenado que o soldado interrompesse a gravação”, detalha a denúncia. Ao questionar a ordem e supostamente se referir ao capitão como “você”, Lucas recebeu voz de prisão.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, por meio de nota oficial, informou que “um policial militar foi preso em flagrante durante atendimento médico realizado no Hospital da Polícia Militar por infração ao Código Penal Militar (Artigo 160)”. O Artigo 160 do Código Penal Militar considera crime “desrespeitar superior diante de outro militar”, com pena de detenção de três meses a um ano, caso o fato não constitua crime mais grave. O soldado foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes (PMRG), mas, na manhã de quinta-feira, 19 de junho, foi liberado após audiência de custódia, conforme informou a Polícia Militar.
O caso gerou repercussão nas redes sociais, com críticas à rigidez da aplicação do Código Penal Militar em uma situação de atendimento médico. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar todas as circunstâncias do ocorrido. A defesa de Lucas Neto argumenta que a prisão foi desproporcional, considerando que ele estava em busca de tratamento e não em contexto de subordinação hierárquica. Enquanto isso, a PM mantém a investigação para esclarecer os fatos e determinar se houve excesso por parte do capitão ou do soldado.


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