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Ibovespa sob pressão: Selic, dólar e tensões globais

A bolsa de valores brasileira abriu o pregão desta sexta-feira, 20 de junho de 2025, sem uma tendência clara, refletindo a cautela dos investidores após o feriado de Corpus Christi e em meio a eventos globais e domésticos significativos. O Ibovespa, principal índice da B3, opera sob a influência da recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou a taxa Selic para 15% ao ano, e das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente o conflito entre Israel e Irã. A agenda econômica esvaziada e os vencimentos de contratos no mercado também contribuem para a volatilidade observada.

No cenário doméstico, a alta da Selic em 0,25 ponto percentual, anunciada na quarta-feira pré-feriado, sinaliza uma pausa no ciclo de aperto monetário, com o Banco Central indicando que a taxa permanecerá estável por um “período bastante prolongado”. Segundo Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, “as taxas dos DIs de curto e médio prazo tendem a subir na sexta-feira pós-feriado — com elevação maior nos contratos até janeiro de 2027 e um pouco menor a partir do janeiro de 2028”. Essa expectativa reflete a precificação do mercado, que já antecipava o ajuste, embora houvesse apostas na manutenção da taxa anterior de 14,75%.

No exterior, os mercados globais reagem a desenvolvimentos como a decisão do Banco do Japão de desacelerar a compra de títulos a partir do próximo ano fiscal, visando acalmar preocupações após rendimentos recordes de títulos superlongos. Além disso, a postura do presidente dos EUA, Donald Trump, de adiar uma decisão sobre o envolvimento militar no conflito Israel-Irã por duas semanas, trouxe alívio temporário aos mercados, apesar de novos ataques na região. As bolsas europeias operam em alta após três sessões de queda, enquanto os contratos futuros de petróleo registram recuo, influenciados pela cautela geopolítica.

O dólar comercial e os juros futuros (DIs) também estão no radar dos investidores brasileiros. A moeda americana, que fechou recentemente em patamares mais baixos, pode sofrer pressões com a retomada das negociações pós-feriado. Enquanto isso, o aumento das importações chinesas de soja do Brasil, que subiram 37,5% em maio, conforme dados da Administração Geral de Alfândega, destaca a força do agronegócio brasileiro, mas não é suficiente para contrabalançar os desafios macroeconômicos globais. O Ibovespa, cotado em cerca de 138.717 pontos, segundo dados recentes, segue como termômetro da confiança do mercado em meio a esse cenário complexo.